No dia 11 de agosto, a Igreja celebra Santa Clara de Assis, padroeira da televisão. À primeira vista, esse título pode parecer curioso. Afinal, Clara viveu no século XIII, muito antes da invenção das câmeras, dos transmissores e das telas que hoje fazem parte da nossa rotina.

Imagem criada por IA que representa o milagre vivido por Santa Clara de Assis ao ver de sua cela a Santa Missa.
A tradição da Igreja conta que, já bastante enferma, Santa Clara não pôde participar da Missa de Natal celebrada na igreja de São Francisco. Em sua cela, unida ao Senhor pela oração, recebeu a graça de acompanhar toda a celebração como se estivesse presente. Séculos depois, esse acontecimento inspiraria a Igreja a proclamá-la padroeira da televisão, lembrando que Deus sempre encontra meios de alcançar aqueles que, por algum motivo, não conseguem estar fisicamente presentes.
Essa realidade toca profundamente a missão da TV Canção Nova. Todos os dias, pelas telas, Deus visita casas, hospitais, presídios, quartos de quem sofre, lares marcados por conflitos e corações sedentos de esperança. A televisão, para nós, nunca foi um fim em si mesma. Ela é instrumento. É canal. É meio pelo qual Deus continua realizando sua obra.
O carisma da Canção Nova e a visão do Padre Jonas Abib
Foi isso que o Padre Jonas Abib compreendeu ao acolher de Deus o carisma da Canção Nova. Mais do que construir uma emissora, ele acreditou que o Senhor desejava suscitar uma obra de evangelização capaz de utilizar todos os meios possíveis para anunciar Jesus Cristo. Por isso, tantas vezes o Padre Jonas nos ensinava sobre a eficácia sobrenatural do Carisma Canção Nova.
Ao longo dos anos, tenho compreendido que essa eficácia não está na excelência da técnica, na potência do sinal ou na criatividade de um roteiro. Ela nasce da ação de Deus sobre um carisma inspirado pelo Espírito Santo.
Quando Deus age além das limitações humanas
Como missionário da Comunidade Canção Nova, e há dez anos servindo na televisão, posso dizer que essa é uma das experiências mais marcantes da minha vocação. Trabalhar na TV me ensinou a enxergar muito além do que aparece na tela.
Quantas vezes encerramos uma transmissão com a sensação de que poderíamos ter feito melhor! Um programa em que faltou tempo para a produção, um problema técnico de última hora, uma entrada que não aconteceu como planejado, uma entrevista que imaginávamos que renderia mais… Humanamente, saímos do estúdio pensando que aquele talvez não tenha sido um dos melhores programas.
Então chegam os testemunhos.
São mensagens de pessoas dizendo que foi exatamente aquele programa que Deus utilizou para falar ao seu coração. Alguém que decidiu voltar para a Igreja. Um casal que resolveu lutar pelo casamento. Um jovem que encontrou sentido para continuar vivendo. Uma pessoa enferma que experimentou paz em meio ao sofrimento. Histórias que jamais imaginaríamos nascer justamente de uma transmissão que, aos nossos olhos, parecia tão limitada.
Quem evangeliza é Deus
É nesses momentos que percebemos, de maneira muito concreta, aquilo que o Padre Jonas sempre nos ensinou: quem evangeliza é Deus.
Nós fazemos a nossa parte. Estudamos, planejamos, ensaiamos, gravamos, dirigimos, editamos, ajustamos câmeras, iluminação e áudio. Buscamos oferecer o melhor que podemos. Mas existe uma dimensão da evangelização que nenhuma competência humana é capaz de controlar. É a graça de Deus que age onde as nossas capacidades terminam.
Talvez seja justamente essa a maior lição que Santa Clara continua nos oferecendo. Assim como Deus rompeu as limitações do espaço para que ela participasse da Santa Missa, Ele continua rompendo distâncias, entrando em casas e alcançando corações por meio da televisão.
A TV Canção Nova é feita por pessoas, com todas as limitações próprias de quem é humano. Mas ela é sustentada por um carisma que não nasceu de um projeto de comunicação, e sim do coração de Deus. É por isso que tantas vidas continuam sendo alcançadas. Não porque fazemos tudo perfeitamente, mas porque Deus escolheu agir por meio desta obra.
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Na TV Canção Nova, o protagonista é o Espírito Santo
Neste dia de Santa Clara de Assis, padroeira da televisão, peço que ela interceda por todos nós que servimos na comunicação da Canção Nova. Que jamais percamos a consciência de que câmeras, microfones e transmissores são apenas instrumentos. O verdadeiro protagonista é o Espírito Santo. E enquanto permanecermos fiéis ao carisma que Deus confiou ao Padre Jonas, continuaremos testemunhando aquilo que, há dez anos, vejo acontecer quase todos os dias dentro da televisão: quando Deus decide agir, uma simples transmissão torna-se um encontro com Cristo, e uma tela transforma-se em lugar de salvação.
