Palavra de Deus, alimento de sua vocação e sentido de sua missão
A Palavra de Deus nutria sua vocação; comunicá-la era sua missão. Maria de Lurdes Nunes, a inesquecível Lurdinha — da Canção Nova, da CNBB, da Terra Santa e do Vaticano —, dedicou a vida a anunciar Jesus.
Seus últimos dias em missão transcorreram em Jerusalém, mas as duras condições de saúde a trouxeram de volta ao Brasil, para perto da família e da Comunidade. Emocionante foi levá-la a Arapeí (SP), “pequeno caminho para o céu” em tupi-guarani, em 10 de novembro de 2024. Apesar dos pulmões debilitados, ela lembrava aventuras missionárias, projetos e sonhos, transbordando esperança. Menos de um mês depois, partiu em sua Páscoa definitiva.
Aos 64 anos, a jornalista e missionária faleceu às 12h, rezando a oração mariana do Angelus, em 06 de dezembro de 2024.
“Lurdinha nos deixou. Ela viveu sua passagem pascal deste mundo para o Pai. Nossa irmã, a morte corporal — como São Francisco a chamava — veio visitá-la, tomou-a pela mão e a conduziu à comunhão com Deus, onde ela pôde se reencontrar com seu pai caminhoneiro, a quem tanto amava, e com sua mãe, vestida com sua melhor roupa de domingo, e com o Padre Jonas, que a ensinara desde a adolescência os caminhos da Palavra, daquela Palavra que se fez carne para nos fazer filhos, mas também os caminhos da nossa pequena e pobre palavra humana, chamada a colocar-se ao serviço da Palavra de Deus para comunicar às pessoas do nosso tempo aquilo que dá sentido à nossa vida”, destacou o Frei Francesco Patton na homilia da missa de seu primeiro mês de falecimento, em Jerusalém.

Lurdinha Nunes com Papa Francisco
Legado permanece vivo
A missionária conheceu o Padre Jonas Abib quando tinha apenas 14 anos. E, acompanhada de outros jovens, fez a experiência do discipulado com ele. Em entrevista para a TV Canção Nova, em 2015, afirmou que o legado do carisma permanecia vivo: levar a uma experiência pessoal com o Senhor. “Ele nunca quis chamar a atenção para si mesmo, mas nos levou até Jesus”.
A Palavra era sua vocação e transmiti-la, sua missão
O Custódio da Terra Santa, Francesco Patton, afirmou que a vivência da escuta da Palavra se tornou para Lurdinha sua vocação. “Ela aprendeu que não bastava alimentar o corpo para estar vivo; era necessário alimentar a alma com a Palavra de Deus para que a vida tivesse sentido e para que nossas palavras humanas não se tornassem banais ou superficiais. Graças ao Padre Jonas, Lurdinha então aprendeu que, se alimentar-se com a Palavra de Deus era sua vocação, transmitir a Palavra de Deus como Evangelho, isto é, como Boa Nova, seria sua missão”.

Lurdinha Nunes e Padre Jonas ABib
Pioneira do Jornalismo
Lurdinha Nunes foi pioneira na Evangelização. Só não entrou na primeira turma da Canção Nova porque tinha menos de 18 anos. Padre Jonas pediu que ela esperasse atingir a maioridade para dar aquele passo. Ao ingressar, desbravou a Comunicação na Canção Nova, sendo bandeirante do Jornalismo da rádio e da TV. Para quem respirava o Evangelho, fronteiras nunca foram limites, expandindo a missão para a Europa, chegou à Roma e depois seguiu para Terra Santa, onde viveu o ponto culminante de sua experiência vocacional e missionária. “Sua maturidade foi alcançada na Terra Santa.
Ela pôde vivenciar esta terra em toda a sua riqueza e em todas as suas contradições: vivenciou-a e transmitiu-a como o quinto Evangelho, que nos permite dar solidez física e tridimensional à nossa fé porque nos fala de Deus encarnado por nós e dado a nós, e vivenciou-a como uma terra de conflito na qual o projeto de reconciliação, comunhão e fraternidade universal que levou Deus a enviar-nos o Seu Filho e a dá-Lo por nós ainda não se concretizou plenamente”, disse Frei Patton.
Peregrinação rumo à eternidade
O Custódio disse ainda que Lurdinha completou sua peregrinação terrena, que ao longo do último ano teve o sabor da Via Sacra. “Agora que ela alcançou o destino final da peregrinação da vida, ela pode mais uma vez abraçar seu pai e sua mãe, de quem recebeu o dom da fé: simples, forte e espontânea. Agora ela pode mais uma vez abraçar o Padre Jonas Abib, que lhe incutiu a paixão por proclamar o Evangelho através de meios modernos de comunicação, mas também o gosto pela radicalidade da fé. Agora ela pode ver de perto Jesus, Maria e José, os apóstolos, São Francisco (seu avô lhe transmitiu essa devoção e ela sempre carregou consigo as fontes franciscanas) e todas as pessoas que foram fonte de inspiração para ela”.
Viver com o mais profundo amor por Jesus
Emocionantes as últimas mensagens que Patton revelou ter recebido de Lurdinha por meio do WhatsApp: “Não sei por quanto tempo mais o Todo-Poderoso me concederá vida, mas quero viver o que me resta com o mais profundo amor por Jesus… Que o amor de Cristo, e nenhum outro, me possua inteiramente, totalmente e para sempre.”
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Saudades! Interceda por nós, são muitas batalhas.
Louvo a Deus por ter tido a chance de conviver por alguns momentos com essa riqueza de ser humano. Obrigado pelo texto em homenagem a Lurdinha… que ela seja sempre lembrada em nossa história de jornalismo e de canção nova.