Sempre fui um apaixonado por comunicação. Para mim, os meios nunca foram um fim em si mesmos, mas pontes. Acredito que a tecnologia exista para levar as pessoas a uma experiência real com Deus. Desde antes de entrar na Comunidade, eu já sentia essa urgência. Lembro-me de usar um celular antigo com um plano de operadora que oferecia “um milhão de SMS”. Eu não via ali apenas números; eu via almas. Inventei cerca de 50 números com DDDs diferentes e passava o dia enviando mensagens de fé, a hora da Bíblia, trechos do folheto dominical. Ali, eu já entendia: por trás de cada dispositivo móvel há pessoas com histórias, dores e esperanças. Nossa missão é resgatar e formar cada uma delas.

Bastidores de gravação de vídeo fazendo uso de novas tecnologias | Foto: Arquivo Canção Nova
Essa percepção pessoal encontrou eco e profundidade quando mergulhei no carisma Canção Nova. Monsenhor Jonas Abib, nosso pai fundador, foi um profeta da comunicação. Em nossos documentos internos, ele deixa claro que a nossa entrada nos meios não foi uma escolha estratégica humana, mas um desígnio divino:
“Não fomos nós que escolhemos. Quando Deus nos reuniu em comunidade (…) Ele começou colocando em nossas mãos um gravador de rolo, um duplicador de fita cassete, uma aparelhagem de som, e até uma rádio. Ele estava respondendo com fatos. Fomos obrigados a aprender a trabalhar com eles e a utilizá-los para a missão. Hoje, é uma realidade palpável, concreta. Somos enviados a evangelizar através dos meios de comunicação.” (Padre Jonas Abib)
O desafio da profissionalização: “Deus nos quer profissionais”
Padre Jonas nunca aceitou o amadorismo para as coisas de Deus. Ele nos provocava: “Deus nos quer profissionais do Evangelho. Profissionais da comunicação. Ele nos quer evangelizando pelos meios de comunicação”. Foi por causa dessa sede de eficácia que busquei me capacitar. O técnico de Rádio e TV, a faculdade de Jornalismo e o MBA em Digital Business não foram apenas para o meu currículo pessoal, mas para colocar a serviço da missão.
Hoje, vivemos o tempo da Inteligência Artificial e da análise de dados. Se, em 2017, eu gastava horas transcrevendo uma pregação manualmente, dando pausas constantes, hoje, utilizo a IA Generativa para agilizar esse processo. Mas a tecnologia só tem sentido se houver ética e respeito pela dignidade humana.
A Igreja, atenta aos “sinais dos tempos”, nos exorta a usar a tecnologia com eficácia, mas sem perder o coração. Um exemplo concreto são as “Mensagens para o Dia Mundial das Comunicações“. Nos documentos internos da Comunidade, Padre Jonas diz que o Sistema Canção Nova de Comunicação não é apenas um conjunto de equipamentos, mas um sistema que comunica uma VIDA.
A estratégia digital: do Twitter ao “Mundo Novo”
Inovar está no DNA da Canção Nova. Fomos a primeira TV a exibir a participação do público via Twitter (hoje X) em tempo real, algo que a TV secular só adotou tempos depois no futebol.
Entramos no SecondLife quando o metaverso ainda era um conceito distante. Como missionário, entendi que minha missão é estar atento a esses novos meios, testá-los e apresentá-los à Comunidade. Hoje, eu tenho agentes de IA treinados para pegar um vídeo específico no Youtube e enviar para mim no WhatsApp. Isso me dá tempo para dedicar-me em outra demanda.
Na era da Inteligência Artificial, precisamos ser mais humanos, estar atento às necessidades do público e, com o nosso carisma, sanar as dores. Precisamos pedir ao Senhor, que nos chamou para servir-Lhe e nos inspirou a evangelizar.
Recentemente, usamos o “Vi Coding”: duas páginas de distribuição de ebook – ou landing page como chamamos no marketing digital – uma de São José e outra sobre a Via-Sacra. Ambas foram construídas com IA Generativa, desde o visual, tanto a configuração de back endcomo de front end, mas, antes de solicitar, através de um prompt, a ideia e inspiração vieram na capela após um momento de oração.
Não tem como não olhar para a realidade atual das tecnologias emergentes e não pensar em São Paulo Apóstolos, nas suas viagens e longas jornadas para levar o Evangelho. Imagine Paulo com 1 milhão de seguidores no X ou no Instagram… Meu Deus, ele faria um bom serviço! Mas, hoje, não temos Paulo; temos Adailton, Maria, Regiane, Augusto, José, João, Pedro e tem você!
Evangelizar com criatividade, estratégia e humanidade
Não basta, porém, “estar” nas redes. No meu blog Metanoia, sempre defendi que “as redes sociais existem independentemente da internet; a internet apenas as potencializou”. Onde há gente, há rede social. Por isso a comunicação precisa ser estratégica:
- Vídeos Curtos (Reels/TikTok, Shorts): São a “isca” para o querigma. Precisam de ganchos fortes e autenticidade. O “bastidor com propósito”, como uma oração antes de uma live, conecta mais que uma superprodução fria.
- Carrosséis e fotos: São ferramentas de formação visual. No Instagram, cada slide deve ser um degrau para o conhecimento da fé.
- Aulas longas e YouTube: É o lugar da densidade. É onde a “vida e o Mundo Novo de Jesus Cristo” são ensinados em detalhes.
- E-mail marketing e dados: Aqui, entra o Digital Business. Usamos dados (KPIs e métricas) não para “vender” apenas, mas para conhecer o público. Através da segmentação, falamos com milhões de forma personalizada, tratando cada um pela sua necessidade, como Jesus fazia.
Padre Jonas dizia que os meios formam um sistema coligado porque têm por trás uma filosofia: a razão pela qual investimos nossa vida. Minha missão como comunicador e especialista digital é garantir que a tecnologia seja transparente, para que apenas a mensagem brilhe e alcance os corações.
Se surgir algo novo amanhã, nós estaremos lá. Não por vaidade tecnológica, mas porque, como dizia nosso fundador: “Temos consciência de que nisso Deus nos quer sinal. Ele nos quer testemunhas de algo que já vivemos e de algo em que acreditamos e que há de vir”.
A tecnologia muda, a IA evolui, os algoritmos se transformam, mas a sede do coração humano por Deus permanece a mesma.
E nós, profissionais de Deus, continuaremos usando todos os meios para saciá-la.
Deus nos abençoe e nos dê criatividade e inspiração para evangelizar até Jesus voltar.
