Essa será a minha terceira Semana Santa na Terra Santa, desde o meu remanejamento em novembro de 2023. Também será a terceira em meio à guerra (2024 Israel x Hamás; 2025 Israel x Irã e, agora, 2026 Israel e EUA x Irã). Ainda não tive o privilégio de experimentar esse tempo em um cenário de paz. Apesar disso, nos últimos anos, mesmo em meio aos conflitos, as celebrações da Semana Santa foram mantidas. E foi possível vivê-las com profundidade.

Procissão de Ramos em Jerusalém 2025. | Imagem: Christian Media Center
Celebrações canceladas e impactos em Jerusalém
Neste ano, a realidade está ainda mais difícil. Nossas expectativas, embora ancoradas na esperança de dias melhores, já começaram a se confirmar negativamente. Algumas das principais celebrações já foram canceladas e ou adiadas. Como a tradicional Procissão de Ramos que sai de Betfagé e vem pelas ruas até a entrada na cidade velha de Jerusalém pelo portão dos Leões, ao som festivo de “Hosana ao Filho de Davi”. Além disso, a solene celebração dos Santos Óleos foi adiada, sem previsão de nova data.
Creio que as demais celebrações serão mantidas, no entanto, não nos lugares santos (essa informação ainda não foi confirmada). E, certamente, se acontecer, contará com um número limitado de pessoas participando devido à segurança.
Restrições religiosas: judeus, muçulmanos e cristãos
Neste momento, em primeiro plano, não se trata de perseguição religiosa, mas de restrições por causa da guerra em Israel. Os judeus foram proibidos de celebrar o Purim e, possivelmente, não poderão celebrar a sua Páscoa no Muro das Lamentações. O Ramadã dos muçulmanos também não pôde ser celebrado na Mesquita AL Aqsa (Cúpula dourada) no Monte do Templo, o terceiro lugar mais importante para os Islâmicos.
E, agora, as nossas celebrações cristãs também estão sendo canceladas. Desde o início do conflito, esses lugares santos estão fechados, e tudo isso é, sem dúvida, muito triste.
Pensar que, em pleno 2026, marcado pelo florescimento da inteligência artificial e por uma revolução tecnológica sem precedentes, torna-se ‘inconcebível’ aceitar que a única resposta possível para os desafios da humanidade ainda seja a guerra, como a que estamos presenciando.
Viver a fé em meio à guerra: um paradoxo
Apesar de tudo, viver aqui na Terra Santa tem sido uma experiência, eu diria, paradoxal: em meio à Guerra, descobrimos que podemos viver em Paz.
Em meio as proibições dos locais santos, fazemos a experiência daquilo que Jesus disse à Samaritana:
“Mulher, acredita-me, vem a hora em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade, pois é isso que o Pai deseja” (João 4,21-23).
Conversão interior e intimidade com Deus
Estamos no limiar de um tempo que nos convoca a uma conversão profunda e interior, pois já é e será, cada vez mais, necessária uma intimidade com o Senhor.
A minha forma de acreditar é muito simples: eu continuo acreditando, como aprendi na Canção Nova, que “Deus fala nos fatos”. Continuo acreditando que “nada fica de fora das disposições e do querer de Deus”; que “a Providência é a sabedoria com que Deus rege TODAS as coisas”. E ‘todas’, são ‘todas’, diria um profeta que conhecemos bem: Padre Jonas Abib.
O significado do Santo Sepulcro fechado
Por isso o Santo Sepulcro fechado para a Semana Santa, a mim, fala de maneira concreta. Até mesmo de forma leve e descontraída, me lembro: Ele [Jesus] conseguiu sair do Sepulcro, não está mais lá’.
E, para mim, a pergunta que fica é: E se perdermos os lugares santos? Se eles forem destruídos? (Um fragmento de míssil caiu sobre o telhado do complexo do Santo Sepulcro, mas poderia ter sido o míssil inteiro). E, então? Como seria? Como será a Semana Santa?
Eu não tenho repostas pra essas perguntas, e espero mesmo que isso não aconteça! Contudo, eu tenho certeza de que, assim como vem acontecendo ao longo desses dois mil anos de Igreja, nós saberemos nos reinventar. Reconstruir e manter erguida a bandeira da fé no mastro da caridade, movimentada pelos ventos da esperança até que o Senhor venha. Pois, “as portas do inferno não prevalecerão sobre a Igreja” e, “Aquele que prometeu é fiel pra cumprir”.
A esperança cristã na Páscoa
Independentemente das circunstâncias, a verdade permanece. No domingo de Páscoa com a Basílica do Sepulcro aberta ou não, a verdade é só uma: o Sepulcro já foi aberto a partir de dentro e ninguém mais poderá fechá-lo!
A missão na Terra Santa continua
Mesmo em meio à guerra, a missão continua.
Missionários de diversas comunidades e institutos religiosos seguem presentes na Terra Santa. A Canção Nova está aqui, há 20 anos e continuará, levando nosso carisma nos trabalhos que realizamos e para os que aqui encontrarmos. Assim como também continuará levando até você, aí no Brasil, um pouquinho da experiência que é viver no solo que Jesus viveu.
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Deus os abençoe, e uma Santa e Feliz Páscoa para todos.
