São José, exemplo de homem na Canção Nova

Antes de me tornar membro da Comunidade Canção Nova, eu não tinha conhecimento sobre São José. Embora escutasse algumas pessoas pedirem a sua intercessão e houvesse uma pequena imagem dele na casa dos meus pais, não era um santo de minha devoção. Mas, ao entrar para a Comunidade Canção Nova, algo despertou em mim a atenção para este santo homem.

Inúmeros missionários, tanto homens como mulheres, cultivavam grande devoção por ele e ainda davam seu testemunho. Essa devoção eu adquiri por contágio dentro do Carisma Canção Nova. Quando menos percebi, já era um devoto que recorria à sua ajuda para inúmeras causas.

Mosaico de São José, exemplo de homem, que fica na Casa de Maria em Queluz.

Recanto São José na Canção Nova, Casa de Maria em Queluz-SP

Sou uma pessoa mais introvertida, não costumo ser aquele animador de festa ou contador de piadas numa roda de amigos. Quando percebi que São José não pronunciou uma palavra sequer na Sagrada Escritura, isso me chamou ainda mais atenção. Certamente, ele não era mudo, e falou ao longo de sua vida, mas não há registro, na Sagrada Escritura, de nenhuma fala sua. O que é destacado em sua vida é o fato de ser justo, obediente a Deus e um homem de ação. Eu me agarrei a esses três aspectos da vida de São José. Decidi, com a minha vida, viver essa devoção com gestos concretos, tendo-o como modelo de homem santo.

Um homem justo

Ser justo é o mesmo que dizer que ele praticava a vontade de Deus, e a vontade de Deus é sempre boa. Desse modo, aquele que a pratica é bom. Portanto, o justo José era um homem bom, que praticava a bondade. Uma característica dos homens bons é esperar o que é bom, não só de Deus, mas também dos outros.

É perceptível essa bondade por parte de São José quando é narrada a maneira como ele agiu diante da notícia da gravidez de Maria. Não agiu por impulso, não pensou mal dela, mas quis preservá-la, e pensou em como poderia fazer o bem:

“José, seu esposo, sendo justo e não a querendo difamar, resolveu repudiá-la secretamente. Andando ele com isto no pensamento…” (Mt 1, 19)

Isso é um grande ensinamento para mim. Dentro da Canção Nova, sou chamado a ser um homem justo: pensar e fazer o bem aos outros, protegê-los e preservá-los. Esse aspecto da bondade é algo que mexe muito comigo. Em muitos momentos da minha vida, não me vejo como um homem bom, mas quero ser e peço recorrentemente a ajuda de São José. Ele não era um santo justiceiro, inconsequente ou precipitado. São José ponderava para agir virtuosamente e por isso acertava na vontade de Deus.

Da Palavra para a obediência

Logo entendi que ser justo também era sinônimo de santidade: alguém que vive a Palavra de Deus, age a partir dela e a encarna em sua própria vida. Aliás, esse é um detalhe interessante: São José não recebeu Jesus em seu ventre, mas, sendo homem justo, meditava a Palavra e pôde encarná-la no dia a dia.

Tanto é assim que, na primeira vez em que o Anjo aparece para ele e lhe explica a gravidez de Maria, é à luz das promessas do Antigo Testamento:

“Não temas receber em tua casa Maria, tua esposa, porque o que nela foi concebido é obra do Espírito Santo. Dará à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo Senhor por meio do profeta, que diz: Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porás o nome de Emanuel, que significa: Deus conosco.” (Mt 1, 20-23)

O anjo revela que o menino que estava no ventre de Maria salvaria o povo de seus pecados, e que isso já havia sido anunciado pelos profetas. José compreende claramente, porque conhecia, por meio da Palavra, as promessas messiânicas. Se fosse um homem que não conhecesse a Palavra de Deus, não saberia do que se tratava. Mas conhecimento da Palavra até os demônios possuem; José, porém, era obediente à Palavra de Deus. Ele deu o seu fiat (faça-se) à vontade de Deus cada vez que o anjo lhe apareceu e o orientou. Com isso, aprendi que não basta ser um homem conhecedor da Palavra, mas alguém que obedece com diligência.

Um homem de ação

Embora não tenhamos uma palavra sequer de José nas Escrituras, fica evidente o quanto ele foi um homem de ação. Não se esquivou das dificuldades da vida; protegeu Maria durante a gestação; cuidou dela na ocasião do nascimento de Jesus; fugiu para o Egito, buscando proteger o menino Jesus; agiu com prudência ao voltar para Nazaré após a morte do rei Herodes; sustentou sua família enquanto viveu e, certamente, forjou a masculinidade de Jesus como modelo de homem.

É no meu dia a dia, nas escolhas que faço, no trabalho ou em casa, com a minha esposa e meus filhos, que preciso ter a sabedoria prática de São José. Como ele, preciso estar atento às moções de Deus para conduzir minha família, livrar meus filhos do perigo, ajudar as pessoas ao meu redor e crescer na intimidade com Deus. É uma santidade que amadurece no concreto da vida, nas situações alegres e difíceis.

Na Comunidade Canção Nova é assim: a virtude é exercitada em meio às tensões próprias da vida, e São José é meu professor.

Com o tempo, aprendi com São José que a condição ideal para buscar a santidade é enfrentar a vida como ela é, com suas lutas diárias. Esse processo, muitas vezes doloroso, forja em mim o homem novo, comprometido com a santidade.

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O brilho da castidade

Na comunidade, ouvi muitas histórias de pessoas que testemunharam o quanto São José lhes ajudou na vivência da castidade e no amadurecimento afetivo. Antes de morar na Canção Nova, tive diversas experiências de imoralidade sexual. Infelizmente, tive relações em que tratei as mulheres como simples objetos de prazer. Após passar por um processo de conversão, abandonei radicalmente esse tipo de comportamento; porém, todas essas experiências deixaram marcas profundas no meu imaginário. Tive que reaprender como um homem de verdade se relaciona com uma mulher, sem querer dominá-la, usá-la ou descartá-la.

Descobri que é possível ter amizade entre homem e mulher. Aprendi a ser gentil com as mulheres, sem segundas intenções. Entendi a importância da complementaridade entre homem e mulher e o quanto isso enriquece o mundo. Aos poucos, comecei a viver o que, na comunidade, chamamos de “sadia convivência”: homens e mulheres vivendo juntos, partilhando a vida, trabalhando, rezando e, em tudo, se respeitando e se complementando.

Devo isso à Comunidade Canção Nova e à intercessão deste santo homem. São José, valei-nos!

Jonathan Vinicius Ferreira é missionário da Comunidade Canção Nova, esposo, pai e autor de dois livros.