A música está nas veias da Canção Nova, em sua essência. Não é por acaso que o nosso carisma porta este nome: Canção Nova. Nosso nome revela muito da nossa missão e da nossa identidade. Existe um canto novo, uma música nova, que é do homem novo, da nova criatura, do Mundo Novo.
A música tem na vida cristã uma importância ímpar. Ela fica gravada no coração das pessoas e é capaz de mudar vidas. Deus se revela através da música. Eis um grande mistério. Deus é Deus. Ele não precisa de música para agir, mas Ele, ainda assim, o faz. Por ela, Ele penetra os corações mais endurecidos. A música abre uma brecha no coração das pessoas e o poder de Deus entra e transforma.
Santa Cecília, a padroeira dos músicos
Celebramos, com alegria, o dia da padroeira dos músicos: Santa Cecília, uma das mártires dos primeiros séculos.
Santa Cecília era uma jovem romana e cristã. Ainda nos seus primeiros anos, a pequena Cecília praticava piedosamente a fé em Jesus. Ela foi perseguida e condenada à morte. Em meio aos cânticos e orações, Cecília sobreviveu à primeira condenação, mas seus perseguidores a fizeram sofrer até a morte. Mesmo em meio à dor, ela demonstrava alegria e cantava para Jesus, O qual estava prestes a encontrar.
Neste dia, fazemos memória do impacto da música no Carisma Canção Nova.
Padre Jonas e a música
Muitos não imaginam que o Padre Jonas que viram cantando, animando, ministrando, não nasceu em um lar musical e nem tinha despertado naturalmente este dom. Ele, ainda um menino, com 12 anos, no seminário, o pediu ao Senhor. Em um trecho do livro “Eu acredito em Milagres”, ele conta da sua experiência ao fazer este pedido a Deus, com o coração pobre e humilde.
O dom da música é um dom de serviço. Padre Jonas sabia disso. Por isso, clamou a Deus por este dom, não para si, mas para servir.
“Uma das coisas que mais me sensibilizaram, no seminário, foi a música. Meu chefe de mesa, o Guedes, cantava muito bem. Era o nosso solista. Uma excelente voz. Todos nós gostávamos de ouvi-lo cantar. Além disso, ele tocava requinta na banda, e me encantei com aquele instrumento. É uma clarineta pequenininha, de timbre mais agudo. Os garotos iam aprendendo a tocar piano, a cantar em coral. Havia aulas de música, aprendíamos a ler partituras, e tudo aquilo me encantou.
Chegou o 22 de novembro, festa de Santa Cecília, padroeira da música. O ar do colégio ficou tomado, o dia inteiro, de notas musicais. O toque da alvorada, para acordarmos, era feito com a banda. A missa era solene, com muitos hinos e canções. Música o dia inteiro. A banda tocava no pátio; após o almoço, fazia retreta.
Depois havia a bênção do Santíssimo, no começo da noite. Mais tarde, il gran finale, no teatro, com recitais de canto, de piano e outros instrumentos. Então, na bênção do Santíssimo, justamente na hora em que o padre estava dando a bênção, meu pedido de menino foi este: — Jesus, se a música for útil para o meu sacerdócio, me ajude a aprender música.
Eu não imaginava o alcance daquele pedido.Foi depois, na vida, que percebi o pronto atendimento de Deus ao meu pedido. Vejo, hoje, o que foi a música na minha vida. A música, sempre a música. Nunca imaginei que Deus fosse, depois, colocar uma Canção Nova na minha mão. Tudo isso ligado àquele meu pedido de menino.”

Padre Jonas pediu a Deus, aos 12 anos, o dom da música
O dom do Padre Jonas refletido em seus filhos
Ana Lúcia Rocha Teixeira Biajoni é missionária da Comunidade Canção Nova há 24 anos. Ela tem experiência e expressão da musicalidade Canção Nova e toca no impacto da música na sua vida, que transborda também na vida daqueles que o Senhor confiou a ela através deste dom de serviço.

Ana Lúcia é missionária da Comunidade Canção Nova há 24 anos
“Sempre tive um lar musical. Na minha adolescência, com a separação dos meus pais, a minha mãe começou um negócio de música ao vivo, e eu fui cantar na noite, nesta casa de música que minha mãe tinha. Cantava bossa nova, MPB. Nessa época, minha mãe teve seu encontro pessoal com Cristo, através da Renovação Carismática Católica e me chamou pra fazer um encontro de jovens na paróquia.
Chegando lá, as pessoas sabiam que eu cantava e me pediram pra cantar. A única música católica que eu sabia era “Obrigado, Senhor”, do Padre Jonas.
Quando cantei, eu via que as pessoas não estavam pecando com a minha música. Foi um choque. Tive ali meu encontro pessoal com Cristo. Nunca mais quis cantar no mundo. Tinha 14 anos.
Desabrochar do dom
Quando fiz caminho vocacional com a Canção Nova eu não dizia pra ninguém que eu cantava. Minha acompanhadora tomou um susto quando me viu cantando em uma Quinta-feira de Adoração, já em Cachoeira Paulista. Eu tinha medo de que as pessoas entendessem que eu fazia caminho vocacional pra ser famosa na Canção Nova, através do canto. Eu queria viver o carisma e achava que o canto ia me atrapalhar.
Até que um dia, o Diego Fernandes me viu cantando na mesa do almoço e me chamou pra cantar na missa do Clube da Evangelização. Eu fui cantar o ofertório com ele, ainda muito tímida. Depois daquilo eu nunca mais parei de cantar na Canção Nova.
Fui pro noviciado, em Lavrinhas/SP, no início de 2002. O Diácono Nelsinho Corrêa, que era meu mestre de noviciado, me deu uma folha, com uma letra escrita de alto a baixo, e pediu que eu colocasse melodia. Eu fui pro piano da Capela Nossa Senhora Auxiliadora e coloquei melodia, mas precisei cortar muito da letra. Eu não mostrei pra ele. Guardei a música, com medo de que ele me repreendesse por ter cortado parte da letra.
Fui remanejada para a Canção Nova do Rio de Janeiro. Um dia ele me ligou: “Cadê a minha música? Eu quero gravar. Você fez a minha música?” Eu disse que tinha feito, gravei numa fita cassete e mandei pra ele. Era a música “Sacramento da Comunhão”. Depois o Dalvimar Gallo fez a segunda parte da música, quando diz “chego muitas vezes em tua casa, ó meu Senhor.” Então ficou a letra do Diácono Nelsinho, e a melodia minha e do Dalvimar. Não precisava ter feito mais nada da vida, mas Deus ainda me deu a graça de compor muitas outras músicas pra Ele, pra levar os corações pra Ele.
A música foi fundamental para que eu tivesse meu encontro pessoal com Cristo. Naquele momento eu sei que Cristo tomou meu coração pra Ele, e que jamais a minha musicalidade seria a mesma. E eu espero que através da minha musicalidade, muitas outras pessoas tenham seu encontro pessoal com Cristo.”
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É certo que Deus se manifesta através da sua criação e dos dons que distribui a nós. Ele se revela pela música. Através dela, Deus age poderosamente. Que possamos permitir que o Senhor penetre nossos corações por ela e que nossa vida possa ser, assim, a partir disso, o entoar do cântico novo, do homem novo, da nova criatura, do Mundo Novo.