O mês de outubro é considerado, na Igreja Católica, o Mês Missionário, período em que a Igreja volta o seu olhar de modo especial para a dimensão missionária e para o apostolado realizado em todo o mundo. Por isso gostaria de partilhar um pouco da missão que a Frente de Missão da Canção Nova vive hoje no continente africano, em Moçambique, particularmente na Diocese de Tete, na Paróquia Imaculada Conceição em Zóbuè.

Padres Junio e Lucas, missionários da Canção Nova em Zobue, Moçambique | Foto: Arquivo Pessoal.
O mês missionário tem início com a festa de Santa Teresinha do Menino Jesus, celebrada no dia 1º de outubro, reconhecida como padroeira das missões. O Dia Mundial das Missões, por sua vez, teve origem em 1926, por iniciativa do Papa Pio XI. Entretanto, quando olhamos para o Evangelho, podemos perceber que a própria vida de Jesus Cristo foi uma missão.
O encontro pessoal com Cristo como centro da missão
Cristo veio ao mundo para cumprir a vontade do Pai e anunciar o Reino de Deus. Também encontramos em São Paulo um dos grandes missionários do Novo Testamento. Como ele mesmo afirma: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16). Para Paulo, anunciar o Evangelho não era simplesmente uma obrigação, mas uma resposta de amor à experiência que ele teve com Cristo.
Aqui está o ponto central da vida de um missionário: o encontro pessoal com Jesus, um encontro capaz de transformar profundamente a vida, a ponto de levá-lo a deixar tudo para seguir a Cristo. Foi assim na vida dos 12 apóstolos, dos santos e de tantos homens e mulheres que, ao longo da história, aderiram ao seguimento de Jesus. Como foi também na vida do meu pai fundador, Monsenhor Jonas Abib, um encontro pessoal que transformou sua vida. E é a partir desse encontro que nasce a Canção Nova, uma obra de Deus.
A experiência missionária em Zóbuè: uma escola de fé
Por isso eu gostaria de partilhar um pouco daquilo que tem sido a minha experiência como missionário em Moçambique, em Zóbuè: como dizia o meu fundador, uma verdadeira aventura de fé. E, de fato, tem sido também uma grande escola de fé.
Aqui, tenho tocado no Evangelho vivo, presente na vida e no coração do povo. Tenho podido contemplar a alegria e o entusiasmo com que somos acolhidos em cada comunidade. Tenho visto que, mesmo em meio a uma realidade marcada por tantas dificuldades e condições precárias, permanecem vivas a fé, a esperança e a caridade. E, mesmo diante das dificuldades, as pessoas não deixam de sorrir.
É impressionante perceber como, muitas vezes, não reclamam das condições difíceis em que vivem. Essa experiência tem me aproximado ainda mais de Deus. Como afirma o Salmo: “Para mim, felicidade é estar perto de Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio” (Sl 16,2). E ainda: “Quanto a mim, bom é estar junto de Deus, fazer do Senhor Deus o meu refúgio e anunciar todas as suas obras” (Sl 73,28).

Visitas às comunidades e a força do povo moçambicano
Algo que marca profundamente o meu coração são as visitas às 42 comunidades (capelas) que temos aqui. Até o momento, já tive a graça de visitar 20 delas. Mesmo diante dos desafios das longas distâncias, a cada semana procuramos chegar às comunidades para celebrar os sacramentos de confissão, batismo, casamento e Eucaristia.
E, em cada lugar, sou surpreendido pelo acolhimento e pelo carinho do povo. Isso me faz perceber que a missão vai muito além daquilo que podemos imaginar. Particularmente, nunca imaginei viver uma experiência como esta. É algo único e especial poder testemunhar a força de um povo que passou, e ainda passa, por grandes dificuldades, mas que não deixa de acreditar e de ter esperança.
É preciso sair de si mesmo e aprender a reconhecer Deus na simplicidade da vida deste povo. Não tem sido nada fácil, mas procuro, a cada dia, olhar mais para Aquele que me chamou e confiar n’Ele, entregando-Lhe as minhas limitações, os meus medos e também as minhas inquietações. Afinal: “Espero no Senhor, espero com toda a minha alma e confio na sua palavra.” (Sl 130,5).
Padre Jonas sempre nos ensinou, na Canção Nova, que devemos ser combatentes em meio às adversidades. E a fé, como afirma a Carta aos Hebreus, é para nós “como âncora da alma, segura e firme” (Hb 6,19).
.: A evangelização da Canção Nova na África
Igreja em saída: transformação e testemunho de amor
Contudo, sou convidado a viver com profundidade o sentido de sermos uma Igreja missionária, uma Igreja em saída, como tantas vezes nos recordou o Papa Francisco. Uma Igreja que não permanece fechada em si mesma, mas que sai ao encontro das pessoas, olha para a realidade e reconhece as necessidades dos irmãos mais necessitados, de modo especial das crianças, das famílias e de todos aqueles que vivem em nossas dioceses, paróquias e no mundo inteiro.
Ser missionário é, portanto, permitir que o encontro com Cristo nos tire de nós mesmos e nos coloque no caminho. É levar o Evangelho, mas também aprender a reconhecer Deus na vida daqueles que encontramos pelo caminho. É isso que tenho aprendido aqui em Moçambique: a missão transforma não apenas aqueles a quem somos enviados, mas também transforma profundamente aquele que se dispõe a partir.
Que Deus continue conduzindo esta missão, fortalecendo cada missionário e fazendo de nós instrumentos do Seu amor.
Deus abençoe!
Referências:
BÍBLIA de Jerusalém. Tradução de Euclides Martins Balancin et al. São Paulo: Paulus, 2002.
FRANCISCO, Papa. Evangelii Gaudium: Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. Vaticano, 24 nov. 2013. Disponível em: [https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html](https://www.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html)
VATICAN NEWS. Dia Mundial das Missões: “Chamados a remar juntos”. 17 out. 2020. Acesso em: 18 set. 2026
